sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Este blogue soube que vai ser assim


O argumento da vontade do povo

O povo português disse. O povo manifestou-se claramente. O povo quer que sejam os meus a governar. Há, claro, outras variantes, mas esta é uma das formulações mais ouvidas nos últimos dias. Não vale a pena virem com manipulações matemáticas, dizem. O povo português foi claro, porque o povo pensa como eu; eu e o povo somos intencionalmente a mesma entidade; o povo declara-se como eu e sofre das mesmas sensações. São os 38% que votaram como eu que fazem o povo. Os outros não são povo; provavelmente nem são portugueses e o que querem não faz cá falta. Eu decido o que é o povo e qual a sua vontade! … Ah, e pim!

O argumento da gula esquerdista

A ideia de que os partidos da extrema esquerda querem é aceder aos recursos do estado tem sido também várias vezes enunciada. E é apresentada como um perigo agudo. Alguém, até agora tradicionalmente excluído do processo, quer meter mãos ao pote. O pote está em perigo! E para isso, imagine-se, esses radicais até estão capazes de trair os seus mais queridos princípios. Tudo pela gula, agora que lhes cheira. Este argumento não tem muito que se lhe diga. No entanto, é revelador de como o exercício do poder político é associado a uma concepção de rapinagem, não só pela pessoa de rua, mas inclusivamente por quem já tem as mãos lambuzadas. Este é o argumento de quem diz: aqui no pote isto já está à pinha, não cabe mais ninguém, porra!


sábado, 10 de outubro de 2015

O argumento da tradição já não é o que era

Antes de mais este argumento peca por antecipação. A decisão de quem será indigitado para tentar formar governo não é dos partidos, mas sim do presidente. A não ser que sejam convidados desde já pelo presidente a formar governo, o que os partidos de esquerda poderão fazer, caso se entendam, é a rejeição do programa de governo, ou o chumbo do orçamento da coligação de direita e não impedir a formação de governo, caso seja essa a decisão do presidente.
Quanto à substância do argumento, o que não ajuda é tratar a tradição como se fosse um formalismo. O que é formal é a lei, e neste caso a constituição. Não fosse assim e ainda seria aceitável que se matassem touros em Barrancos. Portanto, a ideia de que há uma subversão das regras pelo facto de não ser a coligação que ganhou as eleições a constituir governo não tem base formal e por isso não se devem evocar as regras. O facto de ter sido sempre assim - além de ser só por si, e em todos os domínios, um argumento fraco - deve também observar as razões concretas que assim determinaram este desenvolvimento. Os governos de minoria não se formaram espontaneamente porque tinha de ser; formaram-se por falta de alternativas. Quando a direita foi minoria no governo, foi porque não houve a possibilidade (por motivos óbvios) de, no quadro parlamentar, constituir uma maioria com os partidos à sua esquerda. Quando foi o PS, o mesmo se aplica (neste caso à esquerda e à direita). Daqui poderá resultar o argumento de que temos alguma dificuldade histórica relativamente a entendimentos políticos sólidos de governo, mas não que tenha de ser sempre assim, até porque isso poderia constituir uma forma contorcida de formalizar a incapacidade para gerar coligações.
A debilidade deste argumento do precedente histórico - da "praxis constitucional" - também se manifesta no sentido em que visa apenas o presidente e por isso não deve ser dirigido aos partidos. Que o Soares (87) disse a Constâncio que não podia ser, ou que no caso dos Açores o Sampaio (96) não quis isto ou aquilo, remetem apenas para a responsabilidade política dos intervenientes, das suas decisões, e, também importante, para a especificidade do contexto político em que estas decisões foram tomadas. É evidente que formam um desenvolvimento histórico, mas não estruturam um quadro imperativo de procedimento. Assim, o atual presidente pode, de forma legítima, decidir em linha com essa "praxis", desde que dentro do seu entendimento e no quadro dos seus poderes. Quanto aos partidos, devem desenvolver a sua ação política no sentido de encontrarem as melhores soluções possíveis independentemente deste tipo de avaliações subjetivas e, enquanto não for conhecida uma decisão presidencial nesta matéria, ponderar os vários cenários; e será essa decisão a poder confirmar a "praxis", não o contrário. O atual presidente até pode considerar essa tradição como fator influente na sua tomada de decisão, mas essa será a sua escolha, derivada do seu entendimento pessoal e não de qualquer imperativo pré-estabelecido pelos comentadores. Portanto, o argumento visa apenas, aparentemente, condicionar a acção do presidente embora seja dirigido ao campo partidário.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

5 de Outubro


terça-feira, 28 de julho de 2015

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Hoje venho só aqui deixar a minha sugestão de leitura para este verão, a todos os aristocratas do mundo financeiro - entretanto caídos em desgraça - que estejam impossibilitados de sair da sua propriedade em Cascais, devido à forte (e dispendiosa) presença policial junto ao portão.


segunda-feira, 20 de julho de 2015

terça-feira, 14 de julho de 2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

domingo, 5 de julho de 2015

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"A palavra de que eu gosto mais é não. Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efectivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não. A fatalidade do não - ou a nossa própria fatalidade - é que não há nenhum não que não se converta em sim. Ele é absorvido e temos que viver mais um tempo com o sim."

José Saramago, in Folha de S. Paulo (1991)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

quarta-feira, 17 de junho de 2015

CR7 galático


A austeridade e o Zé segundo o evangelho de Maria


* "O pedregulho que temos às costas é bem mais pesado do que antes e vai demorar muito tempo a resolver, porque temos muita dívida pública, privada e externa, mas para começar a pesar menos é importante que não se perca o caminho já percorrido, porque começar outra vez seria mais difícil e as consequências muito mais dramáticas"
Ministra das finanças in Público

terça-feira, 9 de junho de 2015

sábado, 2 de maio de 2015

O estranho caso do Marquês de Ferro ou simplesmente: a Ferro e Fogo

Novos desenvolvimentos surgiram na imprensa nos últimos dias relativamente ao estranho caso que envolve o Marquês. Alegadamente, um indivíduo próximo do amigo Silva, de nome Rui Mão de Ferro, teria escondido provas incriminatórias para o ex-primeiro ministro. Este novo facto veio reconfigurar toda a estrutura do caso. 
Assim, aparentemente, temos o Marquês como o cérebro de toda a operação; o amigo Silva como testa-de-ferro; o Rui Mão de Ferro como homem de mão e João Perna (de ferro?) como o responsável pelas cargas e descargas. Tendo em conta que o desenvolvimento lógico é: cérebro – testa – mão – perna, surge então um novo modelo de funcionamento do alegado esquema: o cérebro pensa; a testa de ferro protege e nutre o cérebro; a mão de ferro esconde coisas desagradáveis e a perna (de ferro?) transporta "livros" e "queijinhos". Tudo isto configura uma inusitada organização anatómica com muito ferro envolvido, o que aparentemente já motivou o envio de uma carta rogatória à Marvel no sentido de apurar o que tem andado a fazer o homem de ferro. Para mais, este quadro vem atrapalhando o próprio ministério público dado que não existe um enquadramento legal específico para figuras jurídicas deste nível, que caracterizem estruturas organizacionais criminosas compostas pela fusão de material orgânico com elementos metálicos e por isso, na tentativa de ultrapassar estas dificuldades, já foi solicitado o parecer jurídico a uma comissão de juízes reformados, portadores de próteses em platina ou outros elementos metálicos.
Como consequência de todos estes factos, foram agora valorizados outros aspectos relacionados com diligências anteriores. A equipa de investigação está a analisar a estranha coincidência de, em todas as buscas domiciliárias feitas aos arguidos, terem sido encontrados ferros de engomar, ferrolhos, ferros de soldar e de ter sido agora recuperada uma foto antiga em que o Marquês está a jogar braço-de-ferro com o amigo Silva num parque de campismo em Fernão Ferro. Também a inadequada relação de José António Seguro com os ferrinhos, patente num vídeo tristemente viral, tem levantado alguma suspeição entre os investigadores, além de que todas as ligações deste intrigante caso com o sector do ferro-velho estão a ser devidamente ponderadas. Resta também apurar o possível envolvimento de Ferro Rodrigues, Rita Ferro, da falecida Margaret Thatcher, da empresa Ferrostaal e de todas as pessoas com saúde de ferro. Foram também requisitados ao LNEC ímanes de grande potência com vista a atrair e detectar mais implicados neste peculiar enredo.
Lateralmente, há também a salientar que um empresário do ramo dos produtos contra a ferrugem manifestou interesse em adquirir os direitos de toda esta história para fins publicitários e que um transeunte do Montijo suspirou: quem com ferro mata...

domingo, 23 de novembro de 2014

Vale Fúfio #

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

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sábado, 18 de outubro de 2014

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terça-feira, 7 de outubro de 2014

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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Vale Fúfio #


sábado, 29 de março de 2014

Hamilton na seleção


O anuário prussiano “Dinge Sagen”, publicou nesta última edição uma foto promocional secreta da seleção portuguesa onde é possível perceber que Paulo Bento irá convocar Alexander Hamilton para o mundial. No seguimento desta estrondosa revelação, o boletim agrícola “Virginia Cotton News”, refere que esta convocatória se deve às últimas boas exibições de Hamilton na liga das dívidas soberanas depois de alguns séculos onde esteve arredado dos grandes palcos. Por cá, a única reação conhecida até ao momento foi o tweet de um cidadão chamado Vitor que transcrevemos a seguir: “#soufan. Estou já a caminho do aeroporto para saudar a chegada desse grande obcecado “

domingo, 17 de novembro de 2013

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domingo, 11 de agosto de 2013



quinta-feira, 1 de agosto de 2013